12 de ago. de 2015

luv me tinder

It starts with a click, a buzz, a bell, a guitar riff;
and there you are, frozen in time
right above a punch line
smiling back at me.
Every pixel of my body shivers.

And then you like my profile pic,
but I
like to play it safe
and I
never send a heart emoji
on a first date.
I’m not that instagram kind of boy!
But if you check out my tumblr, I
know?
you’ll definitely fall in love!

Unlike the others you matched
my thoughts
cannot be contained
in one tweet,
Look at all…
those books I’ve read,
Look at all…
those things I hate!

Let’s buy a trailer and live in the woods!
I’ll take my Netflix account
And you can take the internet supplies.
Oh, and we can get that liquid happiness
On a supermarket nearby!

And though they’ve put
our names in their cans,
We might
never
take a sip.

But let’s cut the crap, we are a match! We are a match! and we only got 140 characters; so let’s make the most of our eternity week.

It starts with a click.

23 de jun. de 2015

#02 (para apreciar também os dias tristes)


não há poemas escritos para os dias de céu limpo. é preciso que se anuviem os olhos para que as rimas comecem a aparecer. não há estrelas no céu escuro, ou há porque não as vemos? só destruímos o que podemos construir.

tenho me forçado a perguntar os porquês. não quero estar triste mas por quê?! por que, pergunto, se, bem clamo, não há poemas escritos para os dias de céu limpo. quero amar, ser bom, ter sucesso, ser bonito, ser feliz... por que, por que, por quê? se cada suspiro tem seu tom e seu valor. não há nada que me tape os vazios senão legitimamente ser. sem quereres ou poderes ou pudores. ser tempestade quando convir, céu nublado quando precisar e sol se assim for, mas invariavelmente celebrar a pungência de ser o que se é e sê-lo agora. é sempre agora, no fim das contas.


só destruímos o que podemos construir. nada me destrói além de mim.

10 de jun. de 2015

#01 (gaveta)

Meu objetivo pessoal é sentir medo de três coisas, no mínimo, do nascer do sol à meia-noite.

Hoje mesmo, apareceu uma aranha no meu quarto e fui lá pra dizer um oi. Que se sentisse confortável, a casa é sua, só não repara a bagunça. É assim que quero lidar com todos os meus medos. Quando o fracasso tapar-me os olhos e chutar-me os joelhos, quero poder olhá-lo nos olhos e dizer: a casa é sua, só não repara a bagunça. E se rirem de mim, se não me aceitarem por quem sou, se a noite for muito escura ou o abismo muito fundo, quero pegar-lhes todos pela mão, afagar seus cabelos, fazer piada sobre o jeito que eles andam e passar-lhes um café. Quanto mais a gente faz força, mais forte a gente fica. Quanto mais temos coragem, mais coragem nós temos. Cês gostam de Friends? Hoje eu vou ver Friends. Sentem ali que já já o café tá pronto. Sintam-se confortáveis, a casa é de vocês.



8 de jun. de 2015

Manifesto.


Costumava orgulhar-me em saber das coisas.

Dos meus planos, das provas, o nome das flores no jardim e a espécie dos passarinhos. Saber das contas, mas dos poemas. As reações químicas e os sentimentos. Hoje orgulho-me em não saber de nada. Sei que sou e que vou, mas não sei quem ou onde. É a descoberta que move, e há de se saber que sempre há o que ser descoberto. Sempre há de se aprender e de se ensinar. Não sou só um pedaço de carne, mas sou também um pedaço de carne, como você e eles ali também. Pra olhar pra frente é pra dentro que se olha. E, se não der pra ver da lua, não me incomoda. Meu sucesso último é ser feliz. E lembrar de estar feliz é meu esforço constante

13 de abr. de 2015

Nada.


não houve suspiro acompanhado,
nem sorriso não interpretado

houve apenas a beleza azeda,
os versos rodopiando sobre a mesa
e espiralando goela abaixo

houve luzes que se apagam
de fora, de dentro
como que para engolir a claridade
e, num lampejo de sobriedade avessa
secar as tempestades que chovem
dentro
da cabeça.

feito marujos, os neurônios se agitam
se esticam, se trincam
e a cada raio, as rimas tortas espiralam
escorrem aos cacos, quebrada poesia

e, à mercê
no mar em fúria
feito ideia absurda
está você, afogando.

e é aí que escrevo.
Jogo-lhe uma boia.

26 de fev. de 2015

Querido poeta adormecido,


Sei que há tempos não nos falamos, mesmo sem saber qual foi o momento exato em que nos desencontramos. Que seja, escrevo-lhe para contar do mundo aqui de fora. Vai ver foi o fato de eu propor-me a desbravá-lo que botou-lhe neste sono sem fim. Sente-se, pois os acontecimentos são numerosos, ainda que, como sabe, não sou dado à prolixidade. Ou este era você? Que seja, as coisas mudaram tanto que hoje já não me importo, e isso me preocupa. Mas isso já é história para cartas vindouras.

Descobri que sou pequeno, meu caro. Menor do que já me malquis. E pensar nisso não me traz tristeza. Há algo de reconfortante na pequenez. Sabe melhor do que ninguém que tenho esta ânsia de ser maior do que sou. Pois sim, encontrei-me ao fazer de minha casa todos os lugares e lugar nenhum ao mesmo tempo. Oh, tanto mudou que, no fundo, temo que nada tenha mudado. Não sei se aprendi a lidar com os meus fantasmas ou apenas cantei-lhes cantigas de ninar, como fiz contigo. Alguns eu descobri, na verdade, não serem fantasmas (foi só preciso sorrir para que eles sorrissem de volta). Alguns, mesmo que sorridentes, não caminham comigo de mãos dadas nas ruas. Outros já não se importam. Mas há aqueles que me visitam no espelho do banheiro, e é por estes que temo. Por eles e não por mim. Dá pra acreditar?

Toquei a neve pela primeira vez na vida e algo mudou em mim, e tenho pra mim que não foi pela neve. Estive sozinho e senti menos medo do que acho que deveria. Vi que a vida passa e a gente perde o bonde se não nos agarrarmos a ele. E que, quando a gente acha que tá sem forças é porque na verdade estamos ficando mais fortes. Viu só o que acontece quando você não me visita? Eu fico todo autor-de-auto-ajuda. Conta pra ninguém que eu te falei essa breguice, mas correr atrás dos nossos sonhos sem nos importarmos com as consequências funciona mesmo, viu? Criei laços que são só meus, e isso deixa minhas noites menos escuras.

Não vou pedir-lhe para voltar, mas, ó, a chave está debaixo do tapete. Não sou o suficiente. Minha xícara está vazia e eu tenho fome. Mas não tenho medo.


Com carinho,
F.

(Para Emme, por acreditar em mim quando eu mesmo não sou capaz de fazê-lo).